domingo, 2 de novembro de 2008

Quero Voltar a Confiar


QUERO VOLTAR A CONFIAR
“Fui criado com princípios morais comuns:
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos, eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades… Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade… Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror… Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão.
Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores… O que aconteceu conosco? Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas. Que valores são esses? Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças. O que vais querer em troca de um abraço? A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser… Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão! Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho. Quero a esperança, a alegria, a confiança! Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa. Abaixo o “TER”, viva o “SER”. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente bela, como cada amanhecer. Quero ter de volta o meu mundo simples e comum. Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases. Vamos voltar a ser “gente”. Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe?… Precisamos tentar… Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem… Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!”.
Arnaldo Jabor

sábado, 1 de novembro de 2008

Sugestão


Quando, de manhã,
te levantares para mais um dia,
abra a janela,
a apanhe no céu um feixe de aurora
e com ele enfeite os cabelos,
e recolha nos olhos o brilho inesperado
de alguma estrela fora de lugar.

Depois, vá ate á a praça
e contemple a pureza cantante dos lírios
despertos pela manhã;
e a timidez desajeitada das gotinhas de orvalhos
surpreendidos pelos primeiros raios de sol.

Em seguida,
dependure nos lábios
algumas gotas do sorriso largo das flores;
e guarde entre na alma um pouco do silêncio irrequieto
daquela estátua que compõe o chafariz.

Depois, caminhe pelas ruas a passo lento,
deixando a manhã cobrir de luz o seu peito
e transformar numa sinfonia de cores o teu coração.

Retome o trabalho.
As horas terão o mesmo espaço de tempo
os acontecimentos a mesma dimensão,
as pessoas talvez serão iguais...

Mas, dentro de você,
nos volteios da procura,
certamente despontará um arco-íris
com prenúncios de ressurreição.

Bambuí, maio de 1978.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Espaço Virtual - Ribamar Donizetti de Rossi: As Mãos

rd_rossi@hotmail.com

As Mãos


As Mãos Há mãos que sustentam e mãos que abalam.
Mãos que limitam e mãos que ampliam.
Mãos que denunciam e mãos que escondem os denunciados.
Mãosque se abrem e mãos que se fecham.
Há mãos que afagam e mãos que agridem.
Mãos que ferem e mãos que cuidam das feridas.
Mãos que destroem e mãos que edificam.
Mãos que batem e mãos que recebem as pancadas por outros.
Há mãos que apontam e guiam e mãos que desviam.
Mãos que são temidas e mãos que são desejadas e queridas.
Mãos que dão com arrogância e mãos que se escondem ao dar.
Mãos que escandalizam e mãos que apagam os escândalos.
Mãos puras e mãos que carregam censuras. (...)
Há mãos que se levantam pela verdade e mãos que encarnam a falsidade.
Mãos que oram e imploram e mãos que “devoram”.
Mãos de Caim, que matam. Mãos de Jacó, que enganam.
Mãos de Judas, que entregam.
Mas há também as mãos de Simão, que carregam a cruz, E as mãos de Verônica, que enxugam o rosto de Jesus.
Onde está a diferença?
Não está nas mãos, mas no coração.
É na mente transformada que dirige a mão santificada, delicada.
É a mente agradecida que transforma as mãos em instrumentos de graça.
Mãos que se levantam para abençoar, Mãos que baixam para levantar o caído, Mãos que se estendem para amparar o cansado.
São como as mãos de Deus que criam, que guiam, Que salvam, que nunca faltam.
Existem mãos, e mãos.
As tuas, quais são?
de Josefa Prieto Andres

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Espaço Virtual - Ribamar Donizetti de Rossi

Espaço Virtual - Ribamar Donizetti de Rossi

Mulheres
“Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.
Pare para refletir sobre o sexto-sentido.Alguém duvida de que ele exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?
E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?
E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro! "Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que você pisa numa poça..." Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...
O sexto-sentido não faz sentido!
É a comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil... As mulheres são mães!
E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?
E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...
Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).
As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?
Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...
É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?
Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem?
Elas conhecem todos...
Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.
EN-FEI-TI-ÇAM !
E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...
Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro". Quer evidência maior do que essa? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim.
O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas. É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora."

(Luís Fernando Veríssimo)

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Para Pensar e Agir

Para agir e Pensar.










Saudade que que fica.
Todas as pessoasque passam pelas nossas vidas
deixam as suas marcas num ir e vir infinito.
As que permanecem … é porque simplesmentedoaram seus corações para entrarem sintonia com a nossas almas.
As que se vão …nos deixam um grande aprendizado….Não importa que tipo de atitude tiveram,mas com elas aprendemos muito..
Com as vaidosos e orgulhosas aprendemosque devemos ser humildes….

Com as carinhosas e atenciosas aprendemos a ter gratidão….Com as duras de coração aprendemos a dar o perdão….
Com as pessoas que passam pelas nossas vidas

aprendemos também a Amar e de várias formas….
com amizade com dedicação com carinhocom atenção com atração
com paixão ou com desejo …
Mas nunca ninguém nos ensinou e nunca aprenderemoscomo reagir diante da

"SAUDADE”
que algumas pessoas deixaram em nós
Marilene Laurelli Cypriano



Saudade que Fica















Todas as pessoasque passam pelas nossas vidasdeixam as suas marcas num ir e vir infinito.As que permanecem … é porque simplesmentedoaram seus corações para entrarem sintonia com a nossas almas.
As que se vão …nos deixam um grande aprendizado….Não importa que tipo de atitude tiveram,mas com elas aprendemos muito..
Com as vaidosos e orgulhosas aprendemosque devemos ser humildes….Com as carinhosas e atenciosas aprendemos a ter gratidão….Com as duras de coração aprendemos a dar o perdão….
Com as pessoas que passam pelas nossas vidasaprendemos também a Amar e de várias formas….com amizade com dedicação com carinhocom atenção com atraçãocom paixão ou com desejo …
Mas nunca ninguém nos ensinou e nunca aprenderemoscomo reagir diante da “SAUDADE”que algumas pessoas deixaram em nós
Marilene Laurelli Cypriano

domingo, 26 de outubro de 2008

Amor e Dissabores


Por ter encontrado dissabores;
Desamores;
Quando buscava sabores;
Harmonia e calmaria;
Refugiei-me, num canto,
Frustrado, amedrontado;
Confesso: Acovardado.
Amarras, molduras, silêncio;
Músicas, principalmente;
Foram minhas armas;
Frágil usei escudos;
Para mais proteção muros.
Pode parecer exagero;
Esmero,
Pois; trata-se de amor;
Amar, perder, ganhar;
Sorrir, chorar.
Todo o cuidado,
Zelo esvaiu-se.
Não como um Raio;
Mas sim, lentamente;
Devido ao mérito;
A força leve;
O grito silencioso;
A voz aguda, não estridente;
De alguém que é gente;
Uma mulher,
A mulher.
Que se foi dura, foi ternura;
E venceu;
Meu medo, meu eu.
É a vida, é o tempero;
São os amores e os dissabores.
Ribamar – 02.06.08

Justificativa?


Não sou o homem que você idealiza,
Que sonhou,
até gostaria, sei que deseja o melhor,
Quer o melhor, quer amar e ser amada e merece:
Na plenitude,
de preferência. Amor, amar é aprendizagem...É avanço, é recuo,
É busca, espera, desencontro, Encontro, perda e ganho.Só conheço, só me conheço;
Quando me relacionando, Com alguém, com você.
Sou o que sou, Fruto do passado,
De sonhos realizados, Outros adiados,
Outros ainda esquecidos.Sou futuro e terei orgulho,
Se me fizer, ajudar a ser mais,Ser melhor,
de preferência para você.Tenho amor em mim,
Eu sei, sou amor.
Tenho medo, também coragem.
Coragem para olhar nos seus olhos e dizer:Eu te amo, ajude-me a ser melhor.
Melhor para você, para mim, Assim resgato do passado,
No passado onde fui falho, Ajude-me, mesmo que seja Por atalho, aos poucos.
Sorria comigo, sejamos amigos, Sejamos crianças.
Brinque, brigue comigo, Mas de um jeito que eu possa entender,
Através de suas palavras, e nos seus gestos,
Mesmo que de forma rude, atitude que traduza: AMOR.
Chore comigo, Sejamos transparentes, sensíveis,
Lavemos nossas almas, nos sentiremos melhores, mais leves; l
ivres de conceitos e preconceitos.
Assim eu não mais direi: Sou o que sou.Direi: Sou o que você me ajudou a ser. Melhor, sereno, equilibrado,
Ao seu lado, Não dispenso o seu melhor abraço,
Entre meus braços.
Dezembro/2007

Intimidade


Enquanto chove lá fora;
Lavo minha alma;
Aqui, no aconchego com você.
Tenho, imaginando a chuva fria;
Seu corpo que me aquece.

A chuva cai como uma luva;
Quanto tenho você junto a mim;
Se me molho, no malho;
É com você, para você.

A chuva parou;
Nós continuamos;
Não percebemos;
Paramos depois;
Eu e você, só nós dois.

Sob o sol ou sob a chuva;
Ao som de uma música;
Transpiramos, molhamos;
D A N Ç A M OS;
F I Z E M O S;
A nossa melodia.

06.06.08

Gosto do Mar


Existe algo que nos separa:O Mar
Existe algo que nos aproxima:O Amar
Existe algo que encanta: Você.
Existe algo transparente: Tu.
Existe empatia, alegria; Em imaginar você,
No atravessar o Mar.
Existe simpatia e conforto,
Nestas palavras, neste Porto.
Existe um presente, ausente,
Você na minha segunda Pátria, Portugal.
Encontrar-te alem Mar,
É encontrar-te para bem amar.
Eu aqui, Gostaria de estar aí,
Somos Mar.
Nós estamos em qualquer lugar
Quando nos sentimos amar,
14/12/07Paula e Ribamar

Sou


Sou contraditório, Sou um nó a ser desatado, Sou aço, mas preciso do seu abraço.Sou grito, sou silencio, Sou medo, sou coragem, Tenho passado, Sou presente, contente, No futuro um dia ausente.Meu fascínio é a simplicidade, Em qualquer idade, Seja no campo ou na cidade.Encanta-me o sorriso de uma mulher, De infinitas faces e fases.Quando criança Queria ser logo adulto, Que insulto...Hoje adulto, volto ao passado, Tempo de criança, Quando não conhecia o significado de uma aliança, No dedo, na mente, na alma.Sou um ser imperfeito, Preciso de um leito, Do aconchego, do seu olhar, Do seu sorriso, Na sua ausência, Para valorizar ainda mais a sua presença, Sou um teimoso, às vezes ocioso,Sou bondoso, amoroso.Eu sei que sou, Mas também sei que não sou.Não sou um ser acabado, finito, pronto, Estou por vir a ser. 25/11/07 as 15hs30min

Pecado


Pecado é não pecar.Pecado é não sorrir.Pecado é não se sentir no direito de ser feliz.Pecado é não estar ao seu lado.Pecado é citado para não pecar, Pecado é usado para amedrontar, Manipular, criticar, impedir de sonhar.Pecar é abrir mão do seu livre arbítrio, Evitar atrito, abafar o grito de: Dor, alegria, prazer, saudade, vontade.Pecado é freio que impede de arriscar-se, Expressar livremente seu pensamento, Seus desejos íntimos de carência, na ausência de um grande amor.Pecado é não abraçar, Demonstrar afeto, Já mesmo como feto.Pecado foi não confessar o meu amor, Na adolescência, viver de sonhos platônicos, Atônicos, sem coragem para dizer: Eu te amo.Meu novo pecado está ainda por vir a acontecer, Que seja, que venha, no amanhecer, no anoitecer, Que seja com você, a quem espero, busco, procuro, Na rua, na lua, na Internet, nos meus sonhos, No meu caminhar, no meu correr, no meu viver.No meu maior pecado, Desafiarei a lei da física, Quando dois corpos ocuparam O mesmo espaço ao mesmo tempo; No amor, por ser com você, Cúmplice do meu pecar, por te amar.Pecar aqui é não pecar.08/12/07

Vejo I


Vejo o Sol;
Vejo a luz;
Vejo a escuridão;
Vejo as estrelas;
Vejo a sombra;
Vejo a chuva, na vertical;
Vejo a água na horizontal;
Vejo o mar.
Vejo pessoas que morrem;
Vejo as que nascem;
Vejo quem dá vida;
Vejo quem tira vida.
Vejo o que brilha;
Vejo o que ofusca;
Vejo sorriso;
Vejo lágrimas;
Vejo dor,
Vejo serenidade.
Vejo crianças ficando velhas;
Vejo velhos tornando-se crianças; Vejo sonhos desmonorando;
Vejo sonhos sonhados;
Vejo outros realizados.
Vejo o que meus olhos alcançam,
Vejo e viajo no que não alcançam;
Vejo mais quando imagino;
Vejo o igual e o desigual;
Vejo abandono;
Vejo aconchego.
Vejo por dentro, num mergulho;
Vejo por fora, no espelho;
Vejo diferença, até com indiferença;
Vejo o real.
Vejo diferente de quem me vê;
Vejo desigual de quem não me é igual;
Vejo e sinto, sinto quando vejo;
Vejo crueldade nua e crua;
Vejo desencanto;
Vejo quem canta, ouço um canto.
Vejo o abraço, o encontro;
Vejo o desencontro;
Vejo as horas, ora, eu vejo.
Vejo correria;
Vejo calmaria;
Vejo quem vai,
Vejo quem vem;
Vejo quem ficou;

Vejo II


Vejo quem foi;
Vejo quem não voltou.
Vejo o amar;
Vejo o amargurar;
Vejo vida; mesmo que desvalida;
Vejo enquanto vivo.
Vejo o andarilho, que perdeu o trilho;
Vejo que perdeu o horizonte, o ontem;
Vejo que perdeu o filho;
Vejo que perdeu o brilho.
Vejo um universo que é pequeno, porque só vejo.
Vejo um universo que é enorme, porque não vejo.
Vejo o visível, o limitado;
Vejo que viajo ao infinito, quando vejo que somente deixo de ver.
Vejo com um olhar único;
Vejo a foto que fotografei;
Vejo o fato, a fatalidade;
Vejo o ato, o desacato.
Vejo amizade entre os iguais;
Vejo briga entre os desiguais;
Vejo ódio;
Vejo quem já fez juras de amor.
Vejo fortuna, fartura;
Vejo miséria;
Vejo ganância,
Vejo ânsia;
Vejo esperança.
Vejo desequilíbrio;
Vejo malabarismo;
Vejo arte, drama;
Vejo a TV, que não me vê.
Vejo um filho;
Vejo uma mãe;
Vejo um pai;
Vejo que vejo tanto quanto deixo de ver;
Vejo e sei que muito não vejo. 07.05.08

Na Rua


Caminho entre muitos,
que caminham junto a mim
Caminhamos em sentido contrário,
na mesma direção e as vezes lado a lado
Na pluralidade e na individualidade
temos em comum a rua, a calçada.
No vai e vem
Alguns esbarram em mim,
que me leva a esbarrar em outros.
Estamos envoltos em pensamento
e nos afins,
não ha tempo para desculpar-se.
Em meio aos desencontros e encontros,
corpos se cruzam, exalam perfume,
suor, tristeza, alegria, ansiedade,
expectativa, angústia.
Estamos na rua.
Há na minha frente
um corpo de mulher, há uma mulher,
ha uma pessoa que caminha.
Um corpo em movimento
que movimenta meus pensamentos.
Sinto o desejo de tocá-la,
senti-la, encostar mesmo que seja de relance,
como um relâmpago,
para quem sabe sua pele
reconheça a minha.
Vejo alguém que finge
não me reconhecer e, eu faço o mesmo.
Queremos continuar no anonimato.
Mas aquela mulher,
que se tornou mais uma entre tantas,
que se perdeu na multidão,
se sentisse o que senti,
viria ao meu encontro.
Assim não seríamos
mais estranhos,
mas confidentes e solidários,
extraídos do anonimato,
da rua, da multidão.

A Rosa e a Menina Rosa I


Encontro-me na primavera,
Num dia de sol,
Sentindo-me linda
Ainda molhado pelo
Orvalho da noite que se foi.
Estou num jardim.
Presa na terra,
Onde a calçada
Separa-me da rua.
Vejo um homem que passa,
Apresado, engravatado,
Um jovem que olha
Para o relógio e me ignora.
Agora uma moça,
Que olha para o vidro
Do carro que reflete seu corpo.
Surge um casal de namorado
E penso que entre eles, Rosa, uma flor, ficaria bem.
O tempo vai passando.
Como tantas pessoas.
Ninguém me repara,
E isso me deixa triste.
De repente uma menina
Aparece e olhando para mim,
Atravessa o portão
E vem ao meu encontro.
Fiquei apreensiva,
E mais ainda porque
Agora ela está junto a mim,
Pertinho e me toca
Com seu dedo indicador.
Começa a contar minhas pétalas,
Querendo saber de quantas
Sou composta.
Perdeu a conta,
Reconta, parece não dar conta,
Sorri e sussurra baixinho:
"Você é tão bela que tira minha concentração"
Por dentro rio envaidecida.
Ela ameaça ir embora
O que me fez soltar um grito.
"Hei! Não vai me levar ?"
- Não pois estaria sendo egoísta,
Privando outras pessoas de lhe ver.
- Diga-me seu nome!
- Rosa
Respondeu timidamente,Parecendo meio triste e continuou

A Rosa e a menina Rosa II


- Não sou tão bonita como você.
Querendo vê-la sorrir,
Deixei cair uma das minhas
Pétalas em sua mão que me tocava.
Vi em seu rosto rosado,
A tristeza dar lugar à alegria,
E sorrindo deu-me um beijo.
Disse então que sua alegria,
Assim como a minha
Seria maior se me levasse embora.
Ela não pensou duas vezes.
Arrancou-me do caule,
Pegou uma das minhas pétalas
E colocou no meio do seu caderno
Então por entre as folhas em branco.
Senti que iria um dia,
Estudando ou escrevendo
Um bilhete para o namorado,
Encontrar um pedaço de mim.
Que para aquela menina Rosa,
Se entregou por inteira,
Fazendo-me tão feliz
Quanto ela, que agora
Caminhando foi embora,
Levando-me também.
Se a menina Rosa,
Por ser jovem ainda
Não descobriu,
Então saberá que,
Quem caminha pela vida
Encontra espinhos e pedras.
Mas pode, se souber olhar,
Encontrar uma outra rosa,
Tão bela quanto eu,
Que nasceu para viver pouco,
Arrancar sorrisos
E brilhar muito.

Pai


Choro porque você se foi.
Choro pela dor da separação,
Por não saber para onde vai,
Por não conhecer a pós-vida.
Choro porque não notei,
Que estava dando adeus.
Choro porque me deixou,
Sem nenhuma palavra,
Nenhum bilhete,
Eu procurei.
Desejar que te esqueça,
É contrariar mais uma vez a sua vontade,
Apesar da idade.
Sem perceber fui onde costumava estar,
Não o encontrei e senti um vazio.
Choro porque sentirei saudade,
Porque não vou tê-lo,
Para brigar, brincar, discordar.
Choro por tudo e por nada,
Choro pelo mistério que já
Trazemos ao nascer,
Que A vida não explica.
Choro porque tomou para si
Minha dor e então choramos.
Sei que com tempo vou
Conseguir sorrir.
Então eu rio no meu intimo,
Do meu e dos nossos segredos.
Digo agora que certa vez
Neguei parecer com contigo.
Mas foi para justificar minhas fraquezas.
Vi em vida,
Já de cabelos brancos,
Tornando-se criança,
Brincando com meus filhos,
Seus netos.
Dando-lhes o carinho, a paciência,
Que não pôde me dar.
Se assim resolveu partir
É porque os sonhos deixaram de existir,
Julgou não poder contar com mais ninguém.
A vida tomou-se difícil, além das suas forças,
Mais forte que sua vontade de viver.
Mas saiba que não viveu em vão,
Aos poucos esquecerei
Seu lado falho e por atalho,
Verei você sorrindo e na sua cabeça,
De um coroa, uma coroa de luz.

Sonho


Transformei o feio em bonito,
Com meu peito aberto dei meu grito,
E busquei o infinito.
Apalpei, peguei, olhei, joguei.
Sonhei acordado.
Acordado sonhei que era verdade.
Fiz um filho, pus nele brilho,
Escondi, Apareci,
Falei sem pensar,
Pensei sem falar,
Fui inconseqüente, Gente.
fiz, disfiz.
Disse não estar,
Estando.
Fingi que era,
Não sendo,
Enganei, amei,
Desprezei, fiquei.
Parti sem levar,
Cheguei sem trazer,
Fui sem ir.
Briguei pela liberdade,
Sem entender que o melhor
Seria a igualdade.
Sem dar conta odiei,
Amei, fui contraditório.
Tudo porque
Acreditei e sonhei.

Meu Velho


Alguns desejos me abandonaram,
Outros são desprovidos de vigor,
São substituídos pelos anos que ganho.
A temperança confunde-se
Com a escravidão.
Já rio menos,
Não faço gracejos,
Estou propenso à solidão,
Sem assumir a aparência desejada,
Andando na contramão.
As alegrias são repentinas,
A tristeza perdura.
Meus filhos,
Meus irmãos me olham
Como estranho.
Dou-lhes razão,
Sei que sonham o que já vivi.

Dívida e Dádiva


Há muito não sinto alegria,
Contentamento, júbilo, felicidade.
Há muito não sei o que é sorrir,
Por dentro, extasiar-se,
Como quem bebe vinho.
Da última vez recordo,
O motivo parece prosaico.
Presenteei meus filhos
E, foi com roupas.
Por momentos esqueceram
De quem as deu.
Embebecidos, alegres,
Trocaram confidências,
Ensaiaram passear.
Isso faz tempo
E trago comigo ainda.
A presente tristeza,
Explica a ausente alegria,
Que reflete no meu distanciamento.
Não ouço suas gargalhadas,
Não vejo suas peraltices,
Não sinto suas alegrias
E suas angustias.
Há muito me sinto triste,
Preso ao meu ideal
Que me consola,
Mas não ameniza
Minha dívida
Em função da minha dádiva.
A tristeza não é maior,
Porque meus filhos,
Em idade juvenil,
São puros, tem me como pai,
Que não deixa de ser uma referencia,
Que é ausência e saudade.
Em mim há uma confusão,
Mistura de culpa e gratidão,
Pois são como filhos,
Melhores que eu como pai.

Caminhada


Vim ao mundo inacabado,
Com necessidades, carências.
Cedo precisei trabalhar.
Sem dar conta
De que com meu suor
Teria meu pão.
Vendi sorvete,
Fui engraxate,
Sem entender de troco.
Conheci o trabalho
Sem saber quanto valia o que fazia.
Meu trabalho tinha
Forma, cor, movimento, som,
Mas parecia sem sentido.
Punha nele força física,
Espiritual e criatividade.
Na essência fui trabalho,
Atalho para viver, comer, dormir.
Fazia parte de uma família.
Com parentes, vizinhos,
No rural e no urbano.
Pensava e trabalhava,
Trabalhava e pensava,
Relacionando-me com os homens
E a natureza,
Transformando-a e me transformando,
Utilizando instrumentos,
Extensão da minha mão.
Senti-me em situações complexas,
Em outras sem nexo,
Visíveis e invisíveis,
De aparência e essência.
Tomei-me um ser social e histórico,
Pobre porque não vendi minha alma,
Sou produto das idéias,
E ideais,
Tenho pouco, sou muito.

Ela


Ela vinha pisando macio,
Para não me acordar.
Mais macio que seus passos
Era o seu beijo e me acordava.
Já de manhã abria os olhos,
Via seus negros cabelos
Caindo sobre meu peito,
Sua boca úmida me beijava.
Assim era acordado,
E acordado feliz,
Passava o dia todo.
O trabalho,
O estudo nos separava,
Durante o dia
Não nos víamos,
Mas ouvia sua voz
Ao telefone
E juntos estávamos
Novamente.
Já noitinha,
Como de manhã
Vinha ao meu encontro,
Acolhia-me com o seu abraço
E tinha o meu beijo.
Assim terminava o dia
Como havia começado,
Porque juntos estávamos.
Passou,
E agora predomina
O silêncio,
Sua ausência
Torna-me um sonhador.
Pequenos gestos,
Traz-me tão grandes
Lembranças
De um amor,
Que acabou,
Mas deixou saudade,
De uma fase
Que vai e volta
Que vive em minha volta.
11/01/94

Busca e Encontro.


É uma história de amor que se repete,
No flerte, no abraço, na chegada, no beijo.
Em comum ha gestos,
Toques, semente das nossas emoções.
Vou tem amar,
Sem hora para chegar,
Sem dia para partir.
E se partir
Levarei o seu perfume,
O som da sua voz,
Sentirei sua pele,
Seu jeito de me tocar,
Pois suas mãos
Sabe como me agradar.
Na intimidade,
Viajo pelo seu corpo,
Sinto você
E de olhos fechados
Percorro o caminho
Que você gosta,
Na velocidade
Que o amor e o
Desejo determina.
Então,
As palavras
Não tem sentidos,
O não significa o sim,
Se diz quero é preciso esperar,
Adiar o prazer de agora,
Na espera do próximo
Que será melhor.11/01/89

Saudade de um Pai

Cheguei,
Não vieram ao meu encontro.
Não houve abraço, sorriso,
Não houve o "sim" e o "não"
E, o silêncio
Feriu minha alma.
Longe não
Me aborrecem,
Não me chateiam,
Fico no meu mundo,
Sem tê-los para
Tirar-me dele,
Através do sorriso
E do toque na mão.
São para mim,
Como a água para a planta,
Uma luz,
Desejo de viver.
Eu, pai e amigo,
Sinto saudade,
Por não estarem aqui.
24/11/88

Distante com saudades


Saudade tenho não por tê-la aqui.
Vontade de vê-la,
Desejo de abraçá-la.
Se tivesse asas,
Voaria ao seu encontro,
Se minha voz
A ti chegasse,
Diria que te amo.
A distancia fortalece
O meu amor,
Mas também
Torna-me inseguro
E silencioso,
Acanhado,
Com medo de perdê-la.
Saudade tenho de quando
Estava aqui,
Sabia onde encontrá-la,
Ouvia sua voz,
Tinha vez.
A distancia que me separa,
Alimenta, desperta
O desejo do encontro.
Estar em paz
É ser responsável
Por sua felicidade,
Ver seu sorriso,
Ajudá-la a viver e vencer.

Perfume e Suor


Como de costume,
Abri a porta do apto,
Fui ao seu encontro,
Senti o seu perfume.
E, você falou do meu suor.
Beijos e aconchegos,
Rolamos no carpete,
Onde dois corpos
Se uniram num mesmo prazer.
Depois da busca
E do encontro,
Houve o desencontro.
Tive que deixá-la.
Levei seu perfume,
Deixei meu suor,
Marcas e lembranças
De um amor proibido.

Lexeiro


Desce, corre, pega, sobe.
Respira lixo e luxo,
É caçambeiro.
Rápido não para,
Não repara quem o repara.
Desce, corre, pega, joga, sobe.
É lixeiro, é ligeiro.
A noite adentra,
Ele não inventa.
O novo dia
Tem hora marcada,
O tempo urge-o.
Luxo, lixo, lixeiro,ligeiro.
Lixeiro, ligeiro, luxo, lixo.
Lixo, ligeiro, luxo, lixeiro.
A noite morre silenciosa,
O dia nasce predestinado
E, o lixeiroLimpo, puro, dorme.

Tributo a mulher


Já no inicio fostes culpada.
Uma serpente tomou-a serpente,
Para sempre.
Depois fostes condenada a sofrer
A dor do parto,
Que a faz penar, mas que é
Algo efêmero diante do choro
De quem gerastes em seu corpo.
Então entre lágrimas sorri
E não mais será a mesma mulher.
Foi no decorrer da história
Ganhando espaço, sendo
o esteio da família,
E em sua homenagem,
Surgiu Maria, que virgem
gerou um filho.
A história não para,
E você nela sempre
Esteve presente,
Vista se não como inteligente,
Portadora de sensibilidade.
Surgiram ditados desejando
Timidamente reconhecê-la,
Mas de maneira pejorativa:
“Atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher".
Mais uma mentira entre tantas,
Pois nunca estivestes
Atrás de um homem.
Mas sim,
Quando não ao lado, na frente.
A história prossegue.
A cada dia tu ganhas mais espaço,
Nos centros acadêmicos, nas ruas,
Nos carros, em tudo.
Discute-se hoje sua ausência
no lar, um vácuo que ninguém
preenche.
Dentre suas peculiaridades,
há o sorriso, o gesto, o carinho,
O afago, a pele, o cabelo, o andar etc.
Tu tens tudo que foi negado ao homem,
E por isso és tão impar e inconfundível.

Tributo a mulher.


Se tu és prostituta não a torna menor.
Preconceitos, desenganos amorosos,
Ilusões mil puseram-na na calçada,
Onde ofereces o seu corpo, mas
Não sua mente, onde está
Gravadas imagens que tenta esquecer,
E que as vezes parece conseguir, pois sorri.
Dados diriam que ali fostes colocada
E que não escolhestes esta profissão,
A mais antiga da humanidade.
Tu és da espécie animal,
A melhor e a única que
Pode mudar este mundo,
Cada dia mais desumano,
Em discórdia, sem a beleza,
Sem os adjetivos,
Que já trás ao nascer.

11/10/99

Ser Pássaro


Se pudesse ser um pássaro,
Não iria me importar com a cor,
Pois, todas são belas.
Se fosse um pássaro,
Não iria me importar,
Com o tamanho da asa.
Voar já bastaria.
Não teria peso,
O sexo, o tamanho do bico,
Dos pés.
Saberia escolher meu alimento,
A árvore para pousar,
E ali fazer meu ninho
De uma escolha,
Ficaria temeroso em fazer:
O meu canto.
Se feio, poderia não agradar
As crianças.
Se belo, sonoro, longo, impar,
Poderia causar minha prisão.
E preso, por mais que na
Gaiola eu cantasse,
Os homens, os mercenários,
Não iriam entender que o meu cantar,
Seria sempre um pedido de liberdade,
E me passaria de mãos em mãos,
Ha quem pagasse mais.
E, assim de tristeza cantaria,
Mais, mais e mais,
Até morrer, sem bicar, sem pousar,
Sem ninhar e sem voar,
Sem entender o homem
Que me fez um eterno
prisioneiro.

Circusntância

A ausência de quem diz me amar,
permite, a circunstância, que
eu fique com quem penso amar.
É ela que vem, oferece,
Recebe, sorri, fala e,
Otimista, descontraída me encanta.
Olho o seu ir e vir,
Seu modo de sentar, de improvisar,
De se achegar.
Fico já pensando no seu ir embora,
Procuro fugir desta idéia e penso
Em perguntar por que não fica mais.
E ela plena, segura, tranqüila,
Serena não discute possessividade.
Aceita-me comprometido,
E sente-se mais livre e liberta,
Zombando da minha escolha.
Sua liberdade dispensa perguntas,
Suspeitas, rancores.
E, eu devido a circunstância,
Terei que amanhã justificar,
Mentir, inventar, improvisar,
Caçar seu cabelo deixado
No travesseiro.
Lavar o copo marcado de batom,
Bater o cinzeiro e desejar que não
Demore para vir,
E, vindo demore para ir.
E assim acabo sentindo
Alegria em mentir,
Porque por atrás das mentiras
Eu escondo momentos circunstanciais.

Lembrança

Eu me lembro que,
Chegando via você
Vindo ao meu encontro,
De braços abertos,
Acolhendo-me.
Eu sentia parado,
Seu corpo junto ao meu,
Seu calor aumentando o meu,
E, seu cabelo preso pude soltar.
Nossos olhares,
Que durante o dia,
Não se cruzaram,
Agora miram-se,
E fazem confidencias,
Pedem isolamento.
Nossos lábios,
Se encontram,
Diante de pessoas,
Que como nos,
Desejavam viver o nosso amor.

Saudade

Desejo você perto de mim,
Porque sei também que assim quer,
Quero o seu beijo,
Como quer o meu.
Quero você em mim,
E eu em você.
Lembro do seu sorriso de ontem,
Brota lágrimas em meus olhos,
Que são frutos de sementes plantadas,
Que expressam saudade,
Que insiste em trazer você de volta.
É quando acredito no amor,
Pego-me sorrindo,
Brincando como criança,
Que não percebe o tempo passar.

Nostalgia

Perdi meu amor
Vivo de recordações
E não mais de esperança.
Ando irritado, sem violência,
Devido aos desenganos, ao vazio
Que trazem-me incerteza,
Juntamente com. a experiência,
Que afasta de mim a confiança.
Amo como devia odiar,
Odeio como devia amar.
A vida me abate,
Não desejo outra coisa a não ser você,
O bastante para viver.
Difícil foi ganhar o seu amor,
Mais fácil foi perdê-lo.
Agora a timidez, o medo,
Afasta-me de outras conquistas,
E abre caminho para a solidão.
Apego-me ao que mais falta,
Em você que me deu vida,
E esperança, que hoje não tenho,
E que está distante.
Estou mais a procura do útil,
Do que do bem e as vezes
Dou provas em excesso.
O que espero da vida é pouco,
Comparando com o que ao seu lado vivi.
Respiro palavras e momentos passados,
Que se trazem dor também é prazer.

Os Jovens

São propensos aos desejos
Fazem o que desejam.
Dos desejos, os amorosos
são capaz de dominá-los.
Seus desejos são intensos
Mas, depressa deixam de existir.
Suas vontades são violentas,
Mas, sem duração.
São coléricos, irritadiços,
Deixam-se arrastar pelos impulsos,
Que domina-os a fogosidade.
São ambiciosos, não toleram o desprezo.
Ficam indignados quando vitimas

Os Jovens

da injustiça.
Gostam de honras, de vitórias,
pois a juventude é ávida de superioridade.
A vitória significa superioridade.
Sua índole é antes boa que má,
Assim são crédulos porque
Não foram vitimas de muitas trapaças.
São sorridentes e esperançosos,
Semelhantes aos que bebem vinho.
Sentem calor, naturalmente não
Suportam contratempos.
Vivem esperançosos,
Porque se refere ao porvir,
Que na juventude é longo
E o passado é curto.
São corajosos, a cólera torna-os
Ignorantes ao temor e a esperança
Incute-lhes confiança.
Encolerizado nada temem.
Facilmente se envergonham,
Pois julgam não haver
Nada de belo fora de suas leis,
Que é a educadora deles.
São joviais, travessos, atrevidos,
Porque a vida ainda não desonrou-os,
Caráter que torna-os corajosos.
Na ação preferem o belo ao útil.
Agem guiados mais pelo caráter
Do que pelo cálculo que relaciona-se com o útil,
Enquanto a virtude leva-os ao belo.
Gostam dos amigos e companheiros,
Não julgam ainda pelo critério do interesse.
Se cometem falhas e violência,
É porque amam e odeiam em excesso,
Agindo assim em outras ocasiões.

Os Jovens


Pensam que sabem tudo
E suas idéias defendem com valentia,
o que é uma parte dos seus excessos.
As injustiças que cometem
São inspiradas pelo descomedimento,
Não pela maldade.
Facilmente se compadecem,
Porque acreditam na virtude dos homens
E que possam ser melhores do são.
Sua inocência serve de bitola,
Tornando todos os maus tratos imerecidos.
Gostam de rir, fazem gracejos,
O que é uma espécie de insônia polida.
Este é o caráter da juventude.
Baseado em Aristótes: "O caráter dos jovens".

Mesmo que...

Mesmo que fosse
O homem mais rico,
Se não soubesse repartir
De nada valeria.
Mesmo que tivesse
O mundo em minhas mãos,
Se não soubesse direcionar
De nada valeria.
Mesmo que tivesse
Todos os amores desejados,
Se não soubesse amar
De nada valeria.
Mesmo que tivesse
A vida eterna se não soubesse viver,
De nada valeria. Mesmo que tivesse
Inúmeros filhos se não soubesse fazê-los sorrir,
De nada valeria.
Mesmo que tivesse
O direito absoluto sobre mim,
Destruir-me,
De nada valeria.
Mesmo que não desejasse nascer
De nada valeria querer morrer.
De nada valeria querer o que já tenho.

Pensamento


Penso em te encontrar
E imagino o seu olhar:
Se vai em palavras ou em
gestos o nosso passado negar.
O encontro casual foi o
Responsável por beijos,
Abraços que se repetiram,
E me marcou para sempre.
Carimbou em minha mente,
momentos do passado ainda
tão presentes, que se foram
inconseqüentes, apesar do
Tempo são ainda tão marcantes.
O tempo não destrói certos momentos,
em que juntos sofremos, ameaçados
pela eterna separação, imposta por
preconceitos, por diferenças que
nos tornaram tão iguais.
Iguais na saudade, no encontro,
no silêncio, nos gostos, na procura
de espaço para ficarmos juntos,
Indiferentes para muitos que a distancia
nos olhava, invejava e sonhava sozinho,
enquanto vivíamos um sonho a dois.
Hoje separados, levados por caminhos
diferentes, as vezes encontro-me em
lugares que juntos estivemos e, trago
você para ficar em minha
volta, envolta junta a mim como
antigamente que, apesar de fazer
muito tempo, existe o mesmo desejo
de que não vá e fique para sempre.

Um Menino Triste


Nasci...
Se foi um gesto de amor, eu não sei,
não senti, não me lembro.
Cresci teimosamente
por força da natureza,
aprendendo a desejar
E o "não" receber.
Entre os poucos desejos, muitos não obtive,
E assim fui acostumando-me a ser triste.
Mas, um dia sorri.
Foi quando um abraço despretensioso,
de um estranho recebi.
Na minha mente foi uma confusão, porque em
Casa só havia tristeza,
Silêncio, ausência de pão e mão,
muita desilusão.
Foi por isso que a rua me acolheu,
o jornal na noite fria me aqueceu,
o bonito céu estrelado, tentou embalar
meu sono, meu sonho e de teto serviu.
As vezes a lua aparecia
e parecia entender minha dor.
Surgia grande, surgia pequena, surgia no diminutivo
e no aumentativo.
Teimoso, contrariando a legalidade,
fui crescendo, fazendo da esquina,

Um Menino Triste


do farol o espaço para alimentar meu estômago.
Quando não recebia o "não", era a indiferença,
De quem usava colares, pulseiras de ouro,
Esnobando arrogância, felicidade,
ignorando a minha infelicidade.
Negaram-me os bancos da escola,
Por isso aprendi a ler os sinais
Os olhares, os gestos
E o que eles significam.
Sei quando assusto
O menino sentado no banco de trás,
Que me olha não reconhecendo
A sua espécie.
Sou visto neste momento como alguém
de outro planeta,
diferente em tudo, igual em nada.
Sei quando desperto piedade,
Ódio, repugnância, ânsia, compaixão,
desilusão, culpa, reflexão,
medo e mais que qualquer outra

Um Menino Triste

pessoa recebo o "não", sou fruto do "não".
Souberem colocar-me no mundo,
não ensinaram-me a viver nele.
Assim restou-me contar minha dor,
habituar-me com o horror.
Tentei rezar mas meu estômago doía.
Vivi fugindo, pedindo, sofrendo sem saber ao
Certo se sofria,
Pois não conheci o outro lado da vida.
Fui aos poucos morrendo sem entender por que:
Quem mais tem menos reparte,
Quem mais sofre mais solidário é,
e quem nada tem é livre e ao mesmo
tempo desprovido da racionalidade institucionalizada.
Por outro lado, quem sofre,
a discriminação, a rejeição é capaz de
gestos terríveis ao perceber que nasceu por obra do acaso,
que luta e sofre por nada, que morre por nada e por nada
existe.
Por isso peço neste momento em que efetivamente
transformo-me em nada, em pó e ganho uma cova,
Peço que não negue o pão,
para quem aprendeu a usar a arma, a atirar.
Que tem na boca um palavrão, instalado
no coração o ódio, semente da negação.
Tem as vezes nos lábios um sorriso,

Um Menino Triste

Mas é perdido,
No espaço da sua criação e trás marcas
dos que foram responsáveis pela sua ação.
Vou embora sem sentir saudade de nada e de ninguém,
com exceção daquele abraço que recebi de um
estranho que me deu uma nota sem nenhuma
recomendação, com um sorriso diferente,
um olhar brilhante, como se por milagre
tivesse deixado de ser o que eu fui:
Um menino de rua que em meio a tudo, nada teve,
E sabe que só seria salvo pela existência do afeto,
que a vida inteira lhe negou, que não recebeu.
Antes de morrer descobri
Que a amizade só existe
Entre os iguais, sejam eles loucos ou normais,
Miseráveis ou afortunados
Neste momento que vou
Embora, que morro sinto
Até um alivio, pois não tenho
Ninguém que vai sentir minha perda e dor,
Sentimentos que em mim, habitaram a vida toda.
Condenar é fácil. Difícil é ponderar.

Cafuné

Venha cá Zé
fazer cafuné,
disse a mulher.
Para ela o Zé
Virou as costas
Fingindo não entender.
Venha cá Zé,
Não posso esperar,
já chega a hora do café.
O Zé insistia em negar
Parecia não ouvir.
Venha logo Zé.
A noite logo chega,
Não vai ter o que mais quer.
Ouvindo isso o Zé,
Logo ficou em pé,
Foi fazer cafuné.
A noite fria chegou,
Dois corpos ocuparam
o mesmo espaço ao
mesmo tempo.
O Zé dormiu,
Cedo Acordou,
Com o cheirinho do café,
Sabendo que faria
Novamente cafuné.

Minha Terra tem


Minha terra tem ACM, Sarney e Maciel.
Tem o Estado da Bahia, Maranhão,
E o Amapá, onde estes mandam lá
há fome e marajá.
Minha terra tem Collor,
Alagoas e PC,
Muita pobreza e sangue.
Minha terra tem Covas, Serra,
Pimenta e FHC,
Onde estão não há lugar para você.
Minha terra tem praia sol e chuva,
Tudo é belo e cai como uma luva.
Minha terra tem mais presídio
do que escola e também esmola.
Menos salário e mais fome.
Minha terra é feita
de oligarquia, paternalismo
e privilégio.
Na maioria das casas
há fome tristeza e tédio.
Minha terra Roberto Marinho,
Antônio Hermínio e o povo
em extermínio.
Minha terra tem Silvio Santos,
Gugu, Fautão e Ratinho,
E a cara deste país é o zé-povinho.
Minha terra tem de tudo para poucos
É feita de muitos que tem pouco.
Minha terra se explica por uma pirâmide.
Lá em cima estão os políticos,
a corrupção, o poder e o luxo.
No meio quem produz, trabalha, sonega
e desemprega.
Em baixo, em meio a paulada,
o povo tem circo, futebol, televisão,
alienação misturada a ideologia da
dominação e reprodução.
Um povo que conhece a lei
dos três "p"
Preto, pobre e puta.
Nada diferente de ha
300 anos, na escravidão.
Que era pão, pano e pau.
Pano para cobrir,
Pão para não morrer
E pau para trabalhar.

Minha Terra tem

Minha terra tem
Muitos "Severinos"
E "Severinas".
Tem Marta, Lula, Suplicy,
Genuíno e ingênuo.
Tem quem suplica, tem
Roubo e desilusão,
Um tal de Hildebrando
E mais um bando.
Muita gente andando,
Em cada esquina minando
Um ladrão.
Minha terra tem outros escondidos,
Em meio à sofisticação
Que fingem de justos,
Mas andam na contramão.
Minha terra faz aniversário,
São quinhentos anos.
Não sei o que houve mais;
Se foi vitória ou desengano.
Não sei se somos independentes.
Valentes, gente, unidos,
Ou se não tiramos da boca
Os Estados Unidos,
Que nos serve de modelo,
Mas que nos mantém
Desunidos, desnutridos.
Endividados, escravizados,
Desavisados e no gelo.
É um país que se diz símbolo
Da liberdade,
Mas que para bombardear
O outro não mede sua idade.
Minha terra não tem
Furacão, deserto, terremoto e vulcão.
Falta-lhe também
Identidade e união.
É o único que tem
Na sua bandeira escrito:
"Liberdade e Progresso",
Que espera cair do céu o sucesso,
Desde quando D. João VI
Sem cabresto,
Bateu canela de regresso.
Minha terra tem muito mais,
Que não cabe em anais.

Especialmente para você


Cada um de nós trás em si lembranças de momentos, de lugares, de situações e especialmente de pessoas que estão marcadas e registradas em nossas mentes. Umas menos, outras mais, afinal não somos todos inteiramente iguais.
De tudo o que mais marca é a presença de alguém, de alguns que acabam nos envolvendo com outras pessoas, formando uma corrente, um elo que vai se estendendo e parece não ter fim.
Algumas pessoas querem saber como estamos, apenas por saber. Outras tomam nossas dores, nossas alegrias e juntos choramos, sorrimos tornando possível vivermos mais um dia.
Em família, para que alguns brilhem, tornem estrelas, apareçam, é preciso que outros desapareçam, se apaguem, estando ausentes em momentos festivos, mas marcando presença em momentos significativos.
Cada um de nós trás em si uma especificidade, que mesmo a idade, o tempo não destrói, não corrói, nos tornando semelhantes em tantas coisas e diferentes em tantas outras.
E assim, eu como outras pessoas, em certas situações na vida, sinto saudades, penso, falo, procuro, em pensamentos vagueio, busco, insisto, desisto, espero e sem muita certeza, querendo concretizar, reviver momentos que não foram somente meus, escrevo, vejo e passo para o papel vivências que existiram, existem e existirão em mim.
Na vida somos um pouco iguais em tudo. Somos bons, ruins, poetas, sonhadores, desbravadores, sofredores, realizadores e em meio ao sermos e não sermos pinta a alegria, a tristeza, a dor, que como a água e o ar, são inerentes ao nosso viver.
Aqui está um pouco de mim, da minha forma de ver o mundo, de brincar com as palavras, de me divertir, inquietar e sonhar. É para você que esteve, está e estará em meus pensamentos, mesmo que predomine por um determinado tempo a ausência e o silêncio, que pode significar o plantio e a colheita, daquilo que fizemos ou deixamos de fazer para nos vermos novamente, num encontro marcado ou inesperado, às vezes adiado, devido as circunstâncias e os improvisos que surgem durante nossas vidas. Por isso de marcas e recordações, marcados e recordados fazemos parte um da vida do outro, as vezes efetivamente, as vezes afetivamente e ainda há casos em que somos indiferentes, o que nos leva a vivermos sem darmos conta de que estamos fazendo e escrevendo a nossa história.
Ribamar

Amar é...











Amar é dar asas à imaginação,
Mergulhar no oceano sem conhecer
a sua profundeza.
Amar é estar confuso,
se entregar ao incerto
na busca do certo.
Amar é buscar a verdade,
Através das mentiras ditas,
Por palavras e desmentidas,
Reveladas pelo coração.
Amar é se entregar ao desconhecido,
No desejo de conhecer,
De abraçar o que é imensamente
Maior que o braços.
Amar é uma confusão de sentidos,
É ansiedade, é saudade.
É encontro e desencontro.
É tesão, tensão, espera, busca.
É saudade, encontro de paz e de guerra.
Amar é viver e morrer a cada instante,
Amar é não temer a morte,
Para viver intensamente.
Só ama quem morre.
Só morre quem ama
Só vive quem morre.
Só morre quem vive.

Saudade que fica.
















Férias - Outubro de 2008 - Destino Paraty
















Paraty - Mes 10/2008



FRASE DO ANO DO DR. DRÁUZIO VARELLA
'No mundo atual está se investindo cinco vezes mais em remédios para virilidade masculina e silicone para mulheres do que na cura do Mal de Alzheimer. Daqui a alguns anos, teremos velhas de seios grandes e velhos de pinto duro, mas eles não se lembrarão para que serve'.
"Não apanhei, admirei"

A inteligência sem amor, te faz perversoA justiça sem amor, te faz implacávelA diplomacia sem amor, te faz hipócritaO êxito sem amor, te faz arroganteA riqueza sem amor, te faz avaroA docilidade sem amor te faz servilA pobreza sem amor, te faz orgulhosoA beleza sem amor, te faz ridículoA autoridade sem amor, te faz tiranoO trabalho sem amor, te faz escravoA simplicidade sem amor, te depreciaA oração sem amor, te faz introvertidoA lei sem amor, te escravizaA política sem amor, te deixa egoístaA fé sem amor te deixa fanáticoA cruz sem amor se converte em torturaA vida sem amor...não tem sentido
desconhecido

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A Flor de Maracujá


A Flor do Maracujá


Pelas rosas, pelos lírios, Pelas abelhas, sinhá, Pelas notas mais chorosas Do canto do Sabiá, Pelo cálice de angústias Da flor do maracujá !
Pelo jasmim, pelo goivo, Pelo agreste manacá, Pelas gotas de sereno Nas folhas do gravatá, Pela coroa de espinhos Da flor do maracujá.
Pelas tranças da mãe-d'água Que junto da fonte está, Pelos colibris que brincam Nas alvas plumas do ubá, Pelos cravos desenhados Na flor do maracujá.
Pelas azuis borboletas Que descem do Panamá, Pelos tesouros ocultos Nas minas do Sincorá, Pelas chagas roxeadas Da flor do maracujá !
Pelo mar, pelo deserto, Pelas montanhas, sinhá ! Pelas florestas imensas Que falam de Jeová ! Pela lança ensangüentado Da flor do maracujá !
Por tudo que o céu revela ! Por tudo que a terra dá Eu te juro que minh'alma De tua alma escrava está !!.. Guarda contigo este emblema Da flor do maracujá !
Não se enojem teus ouvidos De tantas rimas em - a - Mas ouve meus juramentos, Meus cantos ouve, sinhá! Te peço pelos mistérios Da flor do maracujá.
Fagundes Varela

sábado, 16 de agosto de 2008

Mulher de 27 anos dá à luz séptuplos na cidade egípica de Alexandria


Enfermeiras cuidam dos séptuplos recém-nascidos no hospital El-Shatbi, na cidade egípcia de Alexandria, neste sábado. Os bebês, quatro meninos e três meninas, nasceram de cesariana aos oito meses da gravidez da mãe, Ghazala Khamis, de 27 anos. Ela passa bem, apesar de ter precisado de uma transfusão de sangue por causa de uma hemorragia durante o parto. Os bebês estão em incubadoras, segundo o diretor do hospital. (Foto: Tarek Fawzy/AP).
Bebês -4 meninos e 3 meninas- nasceram de cesariana no oitavo mês.Mãe precisou de transfusão de sangue durante o parto, mas passa bem.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Alguns dos Meus filmes favoritos




Rainha Morgot
O melhor comentário deste excelente filme é do colega abaixo. Parabéns, perfeito. Ao ler parecia que eu estava vendo o filme novamente. Parabéns, Rafa.

Rafael Ferraz de Camargo 26/01/2004


Um dos filmes mais fiéis em se tratando de Idade Média e de um assunto tão polêmico: discriminação religiosa. Nada de "O Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda"; o que temos aqui é história contada de forma real e mais verossímil possível. Ela é uma adaptação do livro de Alexandre Dumas ("Os Três Mosqueteiros") que é bem contada sobre a batuta do diretor Patrice Chéreau.

É difícil falar o que é mais importante no filme: se é a atriz francesa Isabelle Adjani (que depois disso sucumbiu, fazendo um filme ianque com a Sharon Stone) ou a cena do famoso "Dia de São Bartolomeu", em que milhares de protestantes são massacrados (leia-se assassinados) sobre a doutrina católica. Para se ter uma idéia desse massacre, podemos compará-lo ao Domingo Sangrento (que fora usado como forma de protesto em "Sunday Bloddy Sunday" do U2) ou até as torturas no Brasil de ditadura, embora esta tenha matança tenha sido de caráter político.

A trama começa com uma boa intenção (sem querer falar do filme, mas do fator histórico): o povo francês tenta casar Margot (Adjani), que é católica, com Henri de Navarre (Daniel Auteuil) que é protestante. Aliás, a cena do casamento é muito bem feita e caracterizada. As roupas, o cenário, tudo. Sob um clima hostil das duas religiões, logo vemos quem é quem nesse "jogo": Margot não ama Henri, só o fez um favor e tem nojo dos protestantes (ou huguenotes, que no longa são caracterizados de preto). Na verdade tem um amante, um romance muito mal explicado. Seu marido, considerado o herói da fita, é que tem a esperança de ver as duas crenças juntas, mas vê que logo isso é impossível. Já a vilã, poderia ser considerada justamente a mãe de Margot: quer acabar com o casamento da filha, matando o huguenote. Sua perversidade é tanta que vemos mais uma grande cena famosa no filme: ela colocar veneno nas páginas do livro do genro, para quando ele lamber o dedo para foliar as páginas morrer. Lógico que ocorre errado, uma coisa bem pior do que poderia acontecer.

Voltando em Margot, depois de seu amante mal resolvido, vê o amor num homem na rua (que se não me falhe a memória é um huguenote, mas talvez me engane). Aos poucos, a personagem-título vai vendo em que religião ninguém se difere e todos são humanamente equivalentes. Para fazer média com seus "novos familiares", Henri se converte a católico, com certa redundância. Enquanto isso, sua sogra e seu comparsa armam o maior massacre da idade média que ficará na história. Manda matar todos os huguenotes que estão na cidade (ainda pela festa de casamento) numa cena lastimável, desesperadora, mas que no fundo faz com que refletíssemos para não repetir os mesmos erros. Tecnicamente a cena é muita bem feita.

A atuação de Isabelle Adjani é impecável; consegue transmitir uma carga dramática quanto esnobe (no começo) ao espectador. Virna Lisi (que faz Catherine de Médicis, a mãe) tem um toque de malvadeza que nos faz querer ajudar Henri. Já este, que é feito por Daniel Auteuil, eu achei um pouco morno, sem personalidade. Mas fica despercebido na grandiosidade do filme.

Enfim, esta produção francês é de respeito, não deixa a desejar. Um banho de aula, indicada por professores de história. Nota 7.

Daens - Um Grito de Justiça
Fiz um trabalho na faculdade sobre este filme. Há varios elementos a serem observados. A coerência do Padre na sua opção de enveligizar, combater a exploração da mão de obra infantil enclusive, a prostituição, o abuso sexual sobre crianças. Considero uns dos melhores filmes que ja assisiti, rico nos datalhes e retrata bem o um dos periodos do Revolução Industrial. Mostra a Igreja envolvida com o interesse capitalista, o nascimento da classe sindical, a luta de uns e a estagnação de outros, ja desilididos pela vida dura que viveu e vive. Enfim, na minha opinião um filme imperdível.
Eu tinha este filme e VHS, fiz a besteira de emprestar e dancei. Se algum tiver eu compro.

O Grande Ditador
SINOPSE:

Chaplin faz dois personagens: Adenoyd Hynkel, um ditador alemão muito parecido com Hitler; e um barbeiro judeu quase sósia do ditador. A coincidência faz os dois serem confundidos. O filme é principalmente uma paródia sobre Hitler e o nazismo, mas ataca também Mussolini e o fascismo. Com inteligência, Chaplin reveza o humor com tristes imagens de um gueto aterrorizado por tropas inimigas. É aqui que existe a clássica cena de Chaplin/Hynkel brincando com o globo terrestre.

O Nome da Rosa
SINOPSE

Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery) é um monge franciscano que, junto ao noviço Adso von Melk (Christian Slater), dirige-se a um mosteiro para um conclave. Mas diversos assassinatos ocorrem sob circunstâncias misteriosas, desviando a atenção de todos. William inicia uma investigação bastante complicada, na qual os suspeitos vão desde os relogiosos até o próprio demônio. Tudo se complica quando Bernardo Gui (F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega ao mosteiro preste a torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do diabo. Adaptação do best-seller homônimo de Umberto Eco.

O Piano

SINOPSE

No século 19, Ada, mulher muda desde os 6 anos, sai da Grã-Bretanha rumo à Nova Zelândia para casar-se com fazendeiro e acaba cobiçada por um rude vizinho do marido. Prêmios de melhor filme e atriz em Cannes e Oscars de melhor atriz, atriz coadjuvante (Anna Paquin) e roteiro original.

Retrato de Dorian Gray
SINOPSE

Homem faz pacto com o diabo para que seu retrato envelheça, enquanto ele continua jovem. À medida que ele se afunda numa vida de abusos, o retrato fica cada vez mais distorcido. Baseado no romance de Oscar Wilde.

Os Miseráveis
SINOPSE

Condenado a dezenove anos de prisão por roubar um pedaço de pão, homem (Liam Neeson) foge da cadeia e recomeça a vida em uma pequena cidade. Mas um policial (Geoffrey Rush) transferido para o vilarejo o reconhece e começa a persegui-lo.

Sociedade do Poestas Mortos

SINOPSE

Quando o carismático professor de inglês John Keating (Robin Williams) chega para lecionar num colégio para rapazes, seus métodos de ensino pouco convencionais transformam a rotina do currículo tradicional e arcaico. Com humor e sabedoria, Keating inspira seus alunos a seguirem seus próprios sonhos e a viverem vidas extraordinárias.

Tempos Modernos
Reconhecidamente uma das obras-primas de Charlie Chaplin, incluído entre os 100 melhores filmes de todos os tempos pelo American Film Institute, ''Tempos Modernos'' é ao mesmo tempo uma comédia, um drama e até mesmo uma espécie de ficção cietífica (pelo menos para a época em que foi feito). Trata-se, em suma, de uma história sobre o homem contra a máquina. E nesse sentido, o filme é principalmente uma dura crítica ao desenvolvimento desenfreado. O eterno Vagabundo trabalha numa fábrica cujas máquinas são comedores de funcionários. Chaplin, inteligente e politizado, fala do homem comum substituído pela máquina, engolido pelas engrenagens do capital e perseguido por suas escolhas.

Obs: Quando assisti este filme pela primeira vez, vi como comédia, depois drama, posteriomente como ficção científica, obra de intuição do extraordiário Chaplin, onde previa o homem sendo engolido pela máquina, escravo dela, assim como torna-se escravo quando não dá conta da existencia do consumismo.

A Importância do Estudo da Sociologia



Celina Fernandes Gonçalves Bruniera*Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Em que medida a sociologia pode contribuir para a sua formação pessoal? Muitos diriam que essa ciência social, num currículo de ensino médio, tem a função de formar o "cidadão crítico". Mas essa justificativa - até porque a idéia de formar o cidadão crítico anda meio banalizada -, não é suficiente.Pensar sobre esse tema significa uma oportunidade ímpar para se aproximar da sociologia como campo de saber e compreender algo de suas preocupações.Vale a pena inserir nesse contexto o papel mais fundamental que o pensamento sociológico realiza na formação do jovem: a desnaturalização das concepções ou explicações dos fenômenos sociais.
Razões objetivas e humanas
Desnaturalizar os fenômenos sociais significa não perder de vista a sua historicidade. É considerar que eles nem sempre foram assim. É perceber que certas mudanças ou descontinuidades históricas são fruto de decisões. Estas revelam interesses e, portanto, são fruto de razões objetivas e humanas.A desnaturalização dos fenômenos sociais também depende de nos distanciarmos daquilo que nos rodeia e de que participamos, para focalizar as relações sociais sem estarmos envolvidos. Significa considerar que os fenômenos sociais não são imediatamente conhecidos.
Reconhecendo as causas
Para explicar um fenômeno social é preciso procurar as causas que estão além do sujeito, isto é, buscar as causas externas a ele, mas que têm implicações decisivas sobre ele.Essas causas devem apresentar certa regularidade, periodicidade e um papel específico em relação ao todo social.
Aprender a observar
Uma aproximação em relação à sociologia, mesmo no ensino médio, exige que o aluno aprenda procedimentos mais rigorosos de observação das relações sociais. E, ainda, que saiba, pelo menos em alguma medida, como o conhecimento é elaborado nas ciências sociais.Para compreender e formular explicações para os fenômenos sociais é preciso ter conhecimento da linguagem por meio da qual esse conhecimento é criado e comunicado.
Para trabalhar um tema
Os fenômenos sociais são conhecidos por meio de modelos compreensivos, ou explicativos, e mediante a contextualização desses modelos, com destaque para a época em que eles foram elaborados e para os autores com os quais um determinado autor dialoga.Assim, trabalhar um tema (como violência, mundo do trabalho etc.) só é possível por meio de conceitos e teorias. É importante, também, que você conheça a articulação entre os conceitos e as teorias e saiba observar sua relevância para compreender ou explicar casos concretos (temas).Vale lembrar também que os conceitos têm uma história e que não são palavras mágicas que explicam tudo, mas elementos do discurso científico que sintetiza as ações sociais para tentar explicá-las. E, ainda, é bom ter em mente que um conceito admite vários sentidos, dependendo do autor e da época em que ele é elaborado.
Teorias servem de base
Da mesma forma, é preciso compreender as teorias no contexto de seu aparecimento e posterior desenvolvimento. Isso é necessário tanto do ponto de vista de como essas teorias foram sendo assimiladas e desenvolvidas por outros autores, como em relação ao caráter das críticas feitas a elas.Conhecer conceitos e teorias com o rigor necessário a um aluno do ensino médio consiste na única maneira possível de se distanciar e se aproximar dos fenômenos sociais e, assim, construir os fundamentos para a formação crítica.
*Celina Fernandes Gonçalves Bruniera é mestre em sociologia da educação pela Universidade de São Paulo e assessora educacional.

São Bernardo - Graciliano Ramos - Resumo

PERSONAGENS:
Paulo Honório: um dos protagonista da obra, é um capitalista tacanho, ou seja o homem que faz por si mesmo;
Madalena: a outra protagonista, delicada e instruída;
Luis Padilha: proprietário do São Bernardo, filho do ex-patrão de Paulo Honório;
D. Gloria: tia de Madalena;
Casemiro:capanga que ajudou Paulo a matar Mendonça, o velho da fazenda ao lado;
João Nogueira:o advogado;
Ribeiro:o guarda-livros;
Silvestre:o padre;
Gondim:o jornalista;

Abandonado pelo pai, criado por uma negra, a doceira Margarida, Paulo Honório, aos dezoito anos, tem a primeira experiência sexual, de que decorre a primeira violência: esfaqueia João Fagundes, quando este se engraça com Germana, a "cabritinha sarará" que possuiu.
Neste tempo, já pensava em ganhar dinheiro, sendo que trabalhos na enxada até então, dentre outros lugares em São Bernardo, onde permanecera no eito e de que desejava se tornar senhor.
Emprestando dinheiro a juros, negociando no sertão, passando fome e sede, Paulo Honório acumula algum capital e com ele volta à sua terra, município de Viçosa, Alagoas. Aí ficava a fazenda de São Bernardo, cujo novo dono, Luis Padilha - filho do falecido patrão de Paulo, Salustiano Padilha - é beberrão, mulherengo e incompetente.
Aproxima-se então de Padilha com o propósito calculado de tirar-lhe a propriedade. Consegue ter êxito fazendo-se seu amigo, emprestando-lhe dinheiro, dando-lhe maus conselhos sobre o cultivo da fazenda. Quando vence a ultima letra que Padilha devia a Paulo, dirige-se a São Bernardo (fazenda) e praticamente rouba a propriedade de Padilha, que, arruinado, acaba por vendê-la a preço irrisório.
Com violência e determinação, Paulo Honório, começa a reconstruir a fazenda. Através do Capanga Casemiro Lopes, assassina o velho Mendonça, da propriedade vizinha. Invade os domínios vizinhos, compra maquinas, empresta dinheiro de bancos, comete grandes e pequenas violências, ganha causas no fórum graças a trapaças de João Nogueira, o advogado que o protegia.
Além do capanga e do advogado, Paulo Honório contava com o jornalista Gondim, com o Padre Silvestre e com os políticos da terra, que manejava de acordo com os seus interesses, a fim de vencer. Reconstruída a casa, iniciada a pomicultura, a avicultura, a plantação de algodão, e Paulo Honório resolve-se casar-se.
Conhece Madalena, a professora da Vila, e simpatiza com ela. na mesma determinação, no mesmo pragmatismo com que conseguiu a posse e o progresso de São Bernardo, consegue desposá-la. Madalena muda-se para a fazenda em companhia da tia Glória.
A vida de Paulo Honório modifica-se a partir dai num processo lento, mas fatal de ruína: Madalena, humanitária e esclarecida, interfere em sua rotina de domínio e de exploração. Ajuda os empregados e melhora a situação da escola que Paulo Honório construíra na fazenda apenas para "agradar"o governador (cujo o professor era Luis Padilha, o antigo dono da São Bernardo). Trabalha com o guarda-livros, o seu Ribeiro, mostrando uma conduta que Paulo considerava inadequada às mulheres: comunista e intelectual. As brigas entre Madalena e Paulo Honório continuam desde o casamento. Isso por causa da generosidade de Madalena e da violência de Paulo Honório.
Madalena não resiste aos maus tratos do marido e suicida-se. Com a sua morte Paulo Honório vai perdendo outras pessoas: D. Glória, seu Ribeiro, o Padilha, e também a obsessão de produzir e ganhar dinheiro.
A revolução de 30 dificulta-lhe os negócios e ele não reage. São Bernardo fenece sob os olhos indiferentes do proprietário, que começa então a sentir a derrota de sua antiga imponência: a presença de Madalena perseguindo-o, denunciando a coisificação estúpida que imprimiu em tudo de que se aproximou.
Através de lá, a quem a amava, sem conhecer esse sentimento, Paulo Honório compreende o "aleijão" que se tornara. Deformado pela profissão, que o afastou das pessoas e das relações humanas, substituindo-as por relações de posse, de domínio, de poder. Ele reconhece a própria monstruosidade.
Impotente para se transformar, sem ter simpatia pelos infelizes que o rodeiam, inclusive pelo filho de três anos, desconfiado de tudo e de todos, Paulo Honório amarga a solidão e isolamento escrevendo um romance e buscando, assim , o sentido da sua vida.
Composto por trinta e seis capítulos, este romance combina a objetividade e concisão do enredo com a subjetividade e a emoção revelada nos monólogos. Eles intensificam a dramática da narração, interrompendo-a.
São Bernardo - Graciliano Ramos -
adap. do site: A Literatura Kit.net (http://geocities.yahoo.com.br/dariognjr69/resumo/bernardo.html) O social e o psicológico se fundem em São Bernardo para criar uma obra de profunda análise das relações humanas. Este é, sem dúvida, um dos romances mais densos da literatura brasileira. Uma das obras-primas de Graciliano, é narrado em primeira pessoa por Paulo Honório, que se propõem a contar sua dura vida em retrospectiva, de guia de cego a proprietário da Fazenda São Bernardo. Ele sente uma estranha necessidade de escrever, numa tentativa de compreender, pelas palavras, não só os fatos de sua vida como também a esposa, suas atitudes e seu modo de ver o mundo. A linguagem é seca e reduzida ao essencial. Paulo Honório narra a difícil infância, da qual pouco se lembra excetuando o cego de que foi guia e a preta velha que o acolheu. Chegou a ser preso por esfaquear João Fagundes por causa de uma antiga amante. Possuidor de fino tato para negócios, viveu de pequenos biscates pelo sertão até se aproveitar das fraquezas de Luís Padilha - jogador compulsivo. Comprou-lhe a fazenda São Bernardo onde trabalhara anos antes. Astucioso, desonesto, não hesitando em amedrontar ou corromper para conseguir o que deseja, vê tudo e todos como objetos, cujo único valor é o lucro que deles possa obter.Trava um embate com o vizinho Mendonça, antigo inimigo dos Padilhas, por demarcação de terra. Mendonça estava avançando suas terras em cima de São Bernardo. Logo depois, Mendonça é morto enquanto Honório está na cidade conversando com Padre Silveira sobre a construção de uma capela na sua fazenda. São Bernardo vive um período de progresso. Diversificam-se as criações, invade terras vizinhas, constrói açude e a capela. Ergue uma escola em vista de obter favores do Governador. Chama Padilha para ser professor.
Estando a fazendo prosperando, Paulo Honório procura uma esposa a fim de garantir um herdeiro. Procura uma mulher da mesma forma que trata as outras pessoas: como objetos. Idealiza uma mulher morena, perto dos trinta anos, e a mais perto da sua vontade é Marcela, filha do juiz. Não obstante conhece uma moça loura, da qual já haviam falado dela. Decide por escolher essa. A moça é Madalena, professora da escola normal. Paulo Honório mostra as vantagens do negócio, o casamento, e ela aceita. Não muito tempo depois de casado, começam os desentendimentos. Paulo Honório, no início, acredita que ela com o tempo se acostumaria a sua vida. Madalena, mulher humanitária e de opinião própria, não concorda com o modo como o marido trata os empregados, explorando-os. Ela torna-se a única pessoa que Paulo Honório não consegue transformar em objeto. Dotada de leve ideal socialista, Madalena representa um entrave na dominação de Honório. O fazendeiro, sentindo que a mulher foge de suas mãos, passa a ter ciúmes mórbidos dela, encerrando-a num círculo de repressões, ofensas e humilhações. O casal tem um filho mas a situação não se altera. Paulo Honório não sente nada pela sua criança, e irrita-se com seus choros. A vida angustiada e o ciúme exagerado de Paulo Honório acabam desesperando Madalena, levando-a ao suicídio.
É acometido por imenso vazio depois da morte da esposa. Sua imagem o persegue. As lembranças persistem em seus pensamentos. Então, pouco a pouco, os empregados abandonam São Bernardo. Os amigos já não freqüentam mais a casa. Uma queda nos negócios leva a fazenda a ruína. Sozinho, Paulo Honório vê tudo destruído e, na solidão, procura escrever a história da sua vida. Considera-se aleijado, por ter destruído a vida de todos ao seu redor. Reflete a influência do meio quando afirma: "A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste."
Renato Lima

Há lugar para o amor romântico na sociedade moderna?


Celina Fernandes Gonçalves Bruniera*Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Gustave Flaubert, autor de A Educação Sentimental
Na sociedade moderna não há lugar para indeterminações e para o amor romântico. O fim trágico de Frédéric em "A Educação Sentimental", do escritor francês Gustave Flaubert, já apontava para uma incompatibilidade entre o romanesco e a razão instrumental.Ao analisar o domínio das paixões no mundo contemporâneo, o professor e filósofo Audato Novaes afirma que a racionalidade do mercado traz em si a lógica da dominação dos sentidos. O resultado mais imediato é que, no plano individual, a paixão amorosa, por exemplo, torna-se uma raridade. O enredo do romance de FlaubertFlaubert retrata a trajetória da geração que vive as ambivalências de um tempo imediatamente após o triunfo e o declínio do romantismo. Romance escrito entre 1864 e 1869, "A Educação Sentimental" narra a história de Frédéric Moreau desde a adolescência até a idade madura. Quando o rapaz sai de sua pequena cidade no interior da França e vai estudar em Paris, nos anos 1840, apaixona-se por uma mulher casada, a sra. Arnoux. Frédéric sonha com as oportunidades que a moderna capital pode lhe oferecer: atividades culturais, contatos com pessoas influentes, um futuro profissional promissor. O destino da juventude burguesaFlaubert foi criticado por abordar a revolução francesa de 1848 como simples pano de fundo de seu romance. Mas é justamente o pano de fundo que se apresenta vivo no comportamento das personagens e nos seus conflitos.O escritor capta as relações sociais e mostra, através das ações das personagens, que diferentes grupos sociais tinham diferentes representações do que ocorria à sua volta e com sua própria vida.Mais precisamente, narra o destino da juventude burguesa, "esse tipo de espíritos desiludidos, destituídos de vontade, cujas grandes ambições ou inquietos desejos esbarram com as duras necessidades de uma evolução social que os ultrapassa" como vê Edouard Maynial, crítico francês e estudioso de literatura.Sem tempo para indecisõesFlaubert mostra que o homem moderno não tem tempo para indecisões. É imperativa a entrada dos ainda jovens num dos jogos sérios de que é feito o mundo social. A ambição de Flaubert é, ao mesmo tempo, apontar o descompasso de uma educação sentimental, as seduções de um mundo burguês com suas mil possibilidades e o malogro de uma revolução.Em busca do inacessívelPara o norte-americano Victor Brombert, especialista em literatura comparada dos séculos 19 e 20, se a vida dos personagens não toma rumo é que, na verdade, "a revolução parece condenada de princípio à falência, à traição e a vergonha, ao fracasso de todos os seus objetivos e ideais". Essa perspectiva nos permite ver que um romance social (poderíamos dizer o mesmo de uma análise sociológica) pode dizer mais sobre as relações sociais de uma época que teorias. Estas assimilam o todo com base numa estratificação social enrijecida.É ainda Maynial que sugere que "A Educação Sentimental" narra os conflitos de uma geração e é também o drama de um temperamento romântico, sempre frustrado, porque procura o inacessível. "A vida de Frédéric Moreau malogrou porque as circunstâncias exteriores são adversas ao sonho, e porque Frédéric se evade sempre, em vez de viver".O fim do heroísmo romântico?O romance é uma reflexão de Flaubert acerca de um encaminhamento da vida pessoal que a Paris do século 19 já dava sinais de não mais acolher. A literatura parece revelar aquilo que só depois de muitos anos conseguiríamos ver.O que foi feito dos românticos? A psicanalista e ensaísta Maria Rita Kehl destaca que o herói pós-moderno é a antítese do herói romântico, do herói solitário que se ergue acima das normas e conveniências sociais em nome do amor apaixonado, da experiência poética.O herói romântico é anti-social e inviável: seu fim geralmente é trágico, em troca de uma vida incendiada. Esse é o conflito que vive Frédéric: entregar-se a uma paixão louca ou reprimir esse sentimento e lançar-se a um futuro mais promissor ou a um amor burguês.
*Celina Fernandes Gonçalves Bruniera é mestre em sociologia da educação pela Universidade de São Paulo e assessora educacional.

Por que ler é fundamental?


Carla Caruso"Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
"A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo."Paulo FreireAfinal por que se afirma que é tão importante ler? Para responder a essa questão, vamos lembrar que o texto - seja de que natureza for - está sempre pronto a ser compreendido, decifrado e interpretado. O processo da leitura exige um esforço que garante uma compreensão ampliado do mundo, de nós mesmos e da nossa relação com o mundo.Na Roma antiga, o verbo "ler" - do latim legere - além de ler, também podia significar "colher", "recolher", "espiar", "reconhecer traços", "tomar", "roubar". Para os romanos, então, ler era muito mais do que simplesmente reconhecer as palavras e frases dos outdoors de uma avenida, dos índices de desempregos noticiados nos jornais, do discurso político de um candidato à presidência da República, de um poema ou de um conto, de um romance ou de um filme.Ler é compreender os discursos, mas também é completá-los, descobrindo o que neles não está claramente dito. Talvez "recolher" seja buscar as pistas que o texto tem, "espiar" seja distanciar-se um pouco e não de imediato aquilo que está sendo proposto, "tomar" e "roubar" talvez queira dizer estar prontos a captar, capturar, se apropriar daquilo que está escondido nas entrelinhas de um texto.
Um desfile de palavras vazias?É assim que a leitura se torna criativa e produtiva, pela descoberta dos sentidos do texto e a atribuição de outros. Do contrário, ela se torna apenas assistir a um desfile de letras, palavras e frases vazias, diante de olhos tão passivos, quanto sonolentos.O mundo simbólico se amplia diariamente. A maior parte dos fenômenos, sejam de natureza política, econômica, social ou cultural, fazem parte de um registro contínuo do homem. Também a reinvenção da realidade por meio dos textos literários, que constroem uma nova linguagem, nos dá a dimensão das emoções, sentimentos, críticas e vivências do homem, na sua busca de sentido para a existência.Nos contos, crônicas, romances, poemas, nos mais variados textos criados, há sempre um universo interior e exterior de pessoas que vivem ou viveram num determinado tempo e espaço. Ler os textos escritos e as diversas linguagens inerentes ao ser humano é ampliar o nosso próprio mundo simbólico, é desenvolver nossa capacidade de comunicar e criticar, enfim, é um ato contínuo de recriação e invenção.
* Carla Caruso é escritora, pesquisadora e realiza projetos de capacitação de professores no Estado de São Paulo.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Pecado

Pecado é não pecar. Pecado é não sorrir.Pecado é não se sentir no direito de ser feliz.Pecado é não estar ao seu lado.Pecado é citado para não pecar, Pecado é usado para amedrontar, Manipular, criticar, impedir de sonhar.Pecar é abrir mão do seu livre arbítrio, Evitar atrito, abafar o grito de: Dor, alegria, prazer, saudade, vontade.Pecado é freio que impede de arriscar-se, Expressar livremente seu pensamento, Seus desejos íntimos de carência, na ausência de um grande amor.Pecado é não abraçar, Demonstrar afeto, Já mesmo como feto.Pecado foi não confessar o meu amor, Na adolescência, viver de sonhos platônicos, Atônicos, sem coragem para dizer: Eu te amo.Meu novo pecado está ainda por vir a acontecer, Que seja, que venha, no amanhecer, no anoitecer, Que seja com você, a quem espero, busco, procuro, Na rua, na lua, na Internet, nos meus sonhos, No meu caminhar, no meu correr, no meu viver.No meu maior pecado, Desafiarei a lei da física, Quando dois corpos ocuparia o mesmo espaço ao mesmo tempo; No amor, por ser com você, Cúmplice do meu pecar, por te amar.Pecar aqui é não pecar.

08/12/07

Lixeiro


Desce, corre, pega, sobe.
Respira lixo e luxo,
É caçambeiro.
Rápido não para,
Não repara quem o repara.
Desce, corre, pega, joga, sobe.
É lixeiro, é ligeiro.
A noite adentra,
Ele não inventa.
O novo dia
Tem hora marcada,
O tempo urge-o.
Luxo, lixo, lixeiro,ligeiro.
Lixeiro, ligeiro, luxo, lixo.
Lixo, ligeiro, luxo, lixeiro.
A noite morre silenciosa,
O dia nasce predestinado
E, o lixeiro
Limpo, puro, dorme.

Mulher


Já no inicio fostes culpada;
Houve o pecado original;
A maça.
Uma serpente tornou-a serpente,
Para sempre.
Depois fostes condenada a sofrer
A dor do parto,
Que a faz penar, mas que é
Algo efêmero diante do choro
De quem gerastes em seu corpo.
Então entre lágrimas sorri
E não mais será a mesma mulher.
Foi no decorrer da história
Ganhando espaço, sendo
o esteio da família,
E em sua homenagem,
Surgiu Maria, que virgem
gerou um filho.
A história não para,
E você nela sempre presente,
Vista se não quando não inteligente,
Portadora de sensibilidade;
Independente da idade.
Surgiram ditados desejando
Timidamente reconhecê-la,
Mas de maneira pejorativa:
“Atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher".
Mais uma mentira entre tantas,
Pois nunca estivestes
Atrás de nenhum homem.
Mas sim,
Quando não ao lado, na frente.
A história prossegue.
Nos centros acadêmicos, nas ruas,
Nos carros, no horizonte, em tudo.
Discute-se hoje sua ausência
no lar, duplo, tripla jornada, um vácuo que ninguém
preenche.
Dentre suas peculiaridades,
há o sorriso, o gesto, o carinho,
A feminilidade;
O afago, a pele, o cabelo, o andar etc.
Tu tens tudo o que foi negado ao homem,
E por isso és tão impar e inconfundível.
Se tu és prostituta não a torna menor.
Preconceitos, desenganos amorosos,
Ilusões mil puseram-na na calçada,
Onde oferece o seu corpo, mas
Não sua mente, onde está
Gravadas imagens que tenta esquecer,
E que as vezes parece conseguir, pois sorri.
Dados diriam que ali fostes colocada
E que não escolhestes esta profissão,
A mais antiga da humanidade.
Tu és da espécie animal,
A melhor e a única que
Pode mudar este mundo,
Cada dia mais desumano,
Em discórdia, sem a beleza,
Sem os adjetivos,
Que já possue ao nascer.

11/10/99

Os Jovens


São propensos aos desejos
Fazem o que desejam.
Dos desejos, os amorosos
são capaz de dominá-los.
Seus desejos são intensos
Mas, depressa deixam de existir.
Suas vontades são violentas,
Mas, sem duração.
São coléricos, irritadiços,
Deixam-se arrastar pelos impulsos,
Que domina-os a fogosidade.
São ambiciosos, não toleram o desprezo.
Ficam indignados quando vitimas
da injustiça.
Gostam de honras, de vitórias,
pois a juventude é ávida de superioridade.
A vitória significa superioridade.
Sua índole é antes boa que má,
Assim são crédulos porque
Não foram vitimas de muitas trapaças.
São sorridentes e esperançosos,
Semelhantes aos que bebem vinho.
Sentem calor, naturalmente não
Suportam contratempos.
Vivem esperançosos,
Porque se refere ao porvir,
Que na juventude é longo
E o passado é curto.
São corajosos, a cólera torna-os
Ignorantes ao temor e a esperança
Incute-lhes confiança.
Encolerizado nada temem.
Facilmente se envergonham,
Pois julgam não haver
Nada de belo fora de suas leis,
Que é a educadora deles.
São joviais, travessos, atrevidos,
Porque a vida ainda não desonrou-os,
Caráter que torna-os corajosos.
Na ação preferem o belo ao útil.
Agem guiados mais pelo caráter
Do que pelo cálculo que relaciona-se com o útil,
Enquanto a virtude leva-os ao belo.
Gostam dos amigos e companheiros,
Não julgam ainda pelo critério do interesse.
Se cometem falhas e violência,
É porque amam e odeiam em excesso,
Agindo assim em outras ocasiões.
Pensam que sabem tudo
E suas idéias defendem com valentia,
o que é uma parte dos seus excessos.
As injustiças que cometem
São inspiradas pelo descomedimento,
Não pela maldade.
Facilmente se compadecem,
Porque acreditam na virtude dos homens
E que possam ser melhores do são.
Sua inocência serve de bitola,
Tornando todos os maus tratos imerecidos.
Gostam de rir, fazem gracejos,
O que é uma espécie de insônia polida.
Este é o caráter da juventude.
Baseado em Aristótes: "O caráter dos jovens".

Mesmo que...


Mesmo que fosse
O homem mais rico,
Se não soubesse repartir
De nada valeria.
Mesmo que tivesse
O mundo em minhas mãos,
Se não soubesse direcionar
De nada valeria.
Mesmo que tivesse
Todos os amores desejados,
Se não soubesse amar
De nada valeria.
Mesmo que tivesse
A vida eterna se não soubesse viver,
De nada valeria. Mesmo que tivesse
Inúmeros filhos se não soubesse fazê-los sorrir,
De nada valeria.
Mesmo que tivesse
O direito absoluto sobre mim,
Destruir-me,
De nada valeria.
Mesmo que não desejasse nascer
De nada valeria querer morrer.
De nada valeria querer o que já tenho.

Obs: Sei que sou contraditório.




Especialmente para você

Cada um de nós trás em si lembranças de momentos, de lugares, de situações e especialmente de pessoas que estão marcadas e registradas em nossas mentes. Umas menos, outras mais, afinal não somos todos inteiramente iguais.
De tudo o que mais marca é a presença de alguém, de alguns que acabam nos envolvendo com outras pessoas, formando uma corrente, um elo que vai se estendendo e parece não ter fim.
Algumas pessoas querem saber como estamos, apenas por saber. Outras tomam nossas dores, nossas alegrias e juntos choramos, sorrimos tornando possível vivermos mais um dia.
Em família, para que alguns brilhem, tornem estrelas, apareçam, é preciso que outros desapareçam, se apaguem, estando ausentes em momentos festivos, mas marcando presença em momentos significativos.
Cada um de nós trás em si uma especificidade, que mesmo a idade, o tempo não destrói, não corrói, nos tornando semelhantes em tantas coisas e diferentes em tantas outras.
E assim, eu como outras pessoas, em certas situações na vida, sinto saudades, penso, falo, procuro, em pensamentos vagueio, busco, insisto, desisto, espero e sem muita certeza, querendo concretizar, reviver momentos que não foram somente meus, escrevo, vejo e passo para o papel vivências que existiram, existem e existirão em mim.
Na vida somos um pouco iguais em tudo. Somos bons, ruins, poetas, sonhadores, desbravadores, sofredores, realizadores e em meio ao sermos e não sermos pinta a alegria, a tristeza, a dor, que como a água e o ar, são inerentes ao nosso viver.
Aqui está um pouco de mim, da minha forma de ver o mundo, de brincar com as palavras, de me divertir, inquietar e sonhar. É para você que esteve, está e estará em meus pensamentos, mesmo que predomine por um determinado tempo a ausência e o silêncio, que pode significar o plantio e a colheita, daquilo que fizemos ou deixamos de fazer para nos vermos novamente, num encontro marcado ou inesperado, às vezes adiado, devido as circunstâncias e os improvisos que surgem durante nossas vidas. Por isso de marcas e recordações, marcados e recordados fazemos parte um da vida do outro, as vezes efetivamente, as vezes afetivamente e ainda há casos em que somos indiferentes, o que nos leva a vivermos sem darmos conta de que estamos fazendo e escrevendo a nossa história.
Ribamar

Vejo


Vejo o Sol;
Vejo a luz;
Vejo a escuridão;
Vejo as estrelas;
Vejo a sombra;
Vejo a chuva, na vertical;
Vejo a água na horizontal;
Vejo o mar.
Vejo pessoas que morrem;
Vejo as que nascem;
Vejo quem dá vida;
Vejo quem tira vida.
Vejo o que brilha;
Vejo o que ofusca;
Vejo sorriso;
Vejo lágrimas;
Vejo dor,
Vejo serenidade.
Vejo crianças ficando velhas;
Vejo velhos tornando-se crianças;Vejo sonhos desmonorando;
Vejo sonhos sonhados;
Vejo outros realizados.
Vejo o que meus olhos alcançam,
Vejo e viajo no que não alcançam;
Vejo mais quando imagino;
Vejo o igual e o desigual;
Vejo abandono;
Vejo aconchego.
Vejo por dentro, num mergulho;
Vejo por fora, no espelho;
Vejo diferença, até com indiferença;
Vejo o real.
Vejo diferente de quem me vê;
Vejo desigual de quem não me é igual;
Vejo e sinto, sinto quando vejo;
Vejo crueldade nua e crua;
Vejo desencanto;
Vejo quem canta, ouço um canto.
Vejo o abraço, o encontro;
Vejo o desencontro;
Vejo as horas, ora, eu vejo.
Vejo correria;
Vejo calmaria;
Vejo quem vai,
Vejo quem vem;
Vejo quem ficou;
Vejo quem foi;
Vejo quem não voltou.
Vejo o amar;
Vejo o amargurar;
Vejo vida; mesmo que desvalida;
Vejo enquanto vivo.
Vejo o andarilho, que perdeu o trilho;
Vejo que perdeu o horizonte, o ontem;
Vejo que perdeu o filho;
Vejo que perdeu o brilho.
Vejo um universo que é pequeno, porque só vejo.
Vejo um universo que é enorme, porque não vejo.
Vejo o visível, o limitado;
Vejo que viajo ao infinito, quando vejo que somente deixo de ver.
Vejo com um olhar único;
Vejo a foto que fotografei;
Vejo o fato, a fatalidade;
Vejo o ato, o desacato.
Vejo amizade entre os iguais;
Vejo briga entre os desiguais;
Vejo ódio;
Vejo quem já fez juras de amor.
Vejo fortuna, fartura;
Vejo miséria;
Vejo ganância,
Vejo ânsia;
Vejo esperança.
Vejo desequilíbrio;
Vejo malabarismo;
Vejo arte, drama;
Vejo a TV, que não me vê.
Vejo um filho;
Vejo uma mãe;
Vejo um pai;
Vejo que vejo tanto quanto deixo de ver;
Vejo e sei que muito não vejo.




07.05.08

Maneira de Amar

O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contanto coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com a sua cara, ou por não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza. Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na ocasião devida.O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho. Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora está arrependido.” Não, respondeu "estou triste porque agora não posso tratá-la mal". É minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava.
Fonte: Andrade, Carlos Drummond de. A Cor de Cada um. Rio de Janeiro.

Pedrinho Pancaré, um ser Humano


Pedrinho, era um homem meio corcunda, tinha os dentes falhados, sua face era cheia de rugas, usava roupas surradas, era rendido, de estatura baixa, de uma bondade submissa, sem valor. Calçava botinas furadas e os dois dedinhos calejados dos seus pés ficavam pelo lado de fora, como que tomando ar, respirando. Vivia com sua carriola carregando a lenha que cortava em baixo de um bamburral. Sempre obediente, vivia para ser mandado, para fazer e servir. Dormia num quarto perto da tuia, ao lado da garagem que protegia um caminhão GMC. Nesse quarto, havia apenas sua cama e um armário e muito desorganizado. Pedrinho entrava cedo para dormir e cedo acordava.
Na hora do almoço e do jantar, enquanto todos na mesa comiam, o Pedrinho, sentado num banco de madeira, ao lado da porta pelo lado de fora aguardava sua comida. Era servido num prato fundo de alumínio e suas mãos calejadas eram seguidas por dois olhos que brilhavam em direção daquele prato que lhe era entregue. Buscando saciar sua fome e encher o estômago vazio, comia apresado, sem mastigar, fazendo barulho com a boca e com a colher que batia ritmicamente no prato. Após acabar de comer, ficava olhando para sua patroa com o prato vazio na mão. Recebia uma caneca de café, bebia sugando o líquido para em seguida agradecer e ir dormir. Agradecia sempre a todos e por tudo.
Às vezes, durante o dia, no meio da tarde, era visto em baixo de um bamburral, sentado, parecendo em pensamento procurar alguém. Parecia estar longe. Tirava o chapéu com a aba suada, sentado num banco de madeira, coçava a cabeça, cruzava as pernas, resmungava um som que parecia uma cantiga de ninar. Com o cotovelo apoiado sobre o joelho, com um olhar fixo sobre o chão, parecia ir cada vez mais longe, distante, criando um mundo melhor para viver.
Era manso com as crianças, parecia instintivamente desejar agradá-las, mas a sua aparência afastava todas. Era feio, sujo, exalava suor. Quando em grupo as crianças aproximavam dele era para zombar ou tentar irritá-lo, dizendo que iriam soltar nos seus pés um busca pé, era quando ele fugia, correndo com passos curtos e na ponta dos pés, para em seguida ficar à distância observando elas brincarem, fazendo algazarra. Nunca se zangava, uma vez contrariado, se afastava.
Tinha preferência pelas mocinhas e um carinho especial pela minha irmã, porque a ele dava atenção, brincava e deixava ser benzida. Era quando suas mãos calejadas, com feridas, ásperas, pegava a mão delicada e fina desta minha irmã. Com uma das mãos estendida, segurava-a no meio das suas e falava palavras sem sentidos, balançando a cabeça, o corpo, cantarolava, abria e fechava aqueles olhos tristes e por vezes algumas lágrimas por eles brotavam. Era um ritual que não entendiámos. Depois soltava a mão da minha irmã com um semblante alegre, festivo, sentido-se envaidecido, dizia que o pedido dela iria ser atendido. Antes de ir embora carregava minha irmã na sua carriola e em seguida eu e meus irmãos. Depois recebia café da minha mãe, agradecia, saia cantarolando, vagando, empurrando a carriola na direção à sua casa.
Chamava minha mãe de Erza. Toda vez que passava em frente minha casa, estando presente ou não minha mãe ele gritava lá de fora:
- Benza Erza! Bença Erza!
E ouvia minha mãe responder:
- Deus de abençoe Pedrinho. Vai com Deus.
Assim o Pedrinho Pangaré seguia o seu caminho, com sua carriola que rangia o eixo da roda rasgando a areia. Não parava de pedir benção enquanto não ouvisse a voz da minha mãe. Pedia benção para algumas mulheres e minha mãe estava entre elas. Por perto de algumas pessoas ele passava e parecia não ver, ignorava, pois não lhe davam atenção.
Passaram os anos, o Pedrinho Pangaré já cansado, sem forças, precisando de cuidados, precisando que cuidasse dele como cuidou de muitos, foi para um Asilo em Cândido Mota. "Asilo dos Velhinhos". No Asilo, longe dos porcos, que viviam sob seus cuidados, do machado, da sua carriola, das mãos da minha irmã entre as suas e a quem benzia, sem a benção da minha mãe, longe da terra que conhecia e que agora não mais sentia o seu cheiro, sem a sombra do bamburral e do banquinho onde sentava, daquele seu lugar que ouvia os suas lamúrias, foi definhando e veio a morrer. Pedrinho Pangaré era puro, bom e serviçal. Somente sorria quando as crianças aceitava a sua presença.
No "Asilo dos Velhinhos", mais velho que muitos velhos, seu espirito puro teve que deixar aquele corpo fraco, sem força e sem vida. O Padrinho Pangaré morreu, o Pedrinho Pangaré não era negro.

Amores e Dissabores



Por ter encontrado dissabores,
desamores;
Quando buscava sabores;
Harmonia e calmaria;
Refugiei-me, num canto,
Frustrado, amedrontado;
Confesso: Acovardado.

Amarras, molduras, silêncio;
Músicas, principalmente;
Foram minhas armas;
Fragilizado, usei escudos;
Para mais proteção muros.

Pode parecer exagero;
Esmero,
Pois; trata-se de amor;
amar, perder, ganhar;
Sorrir, chorar.

Tudo o cuidado,
Zelo, esvaiu-se.
Não como um Raio;
Mas sim, lentamente;
Devido ao mérito;
A força leve;
O grito silencioso;
A voz aguda, não estridente;
De alguém que é gente;
Uma mulher,
A mulher;
Que se foi dura, foi ternura;
E venceu;
Meu medo, meu eu.
É a vida, é o tempero;
São os amores e os dissabores.

Ribamar – 02.06.08

Escreve-se assim:


Toma-se um punhado de palavras que escorrem céleres por veias, artérias, músculos e mãos, derramando-se entre os dedos; esparrama-as sobre folhas secas e brancas, dispondo-as ordenadamente, de forma que traduzam ideais, sentimentos, emoções, recordações, visões e propósitos. Respeita a respiração das palavras. Isso que a gramática chama de pontuação. Deixe que elas descansem ao fim de um conceito, recobrem forças antes de iniciar uma nova frase, estejam cadenciadas por virgulas e pontos na oração. Não exija dela fôlego maior do que possuem e saiba que encerram curioso mistério, pois as mesmas palavras que servem para registrar o mais insípido documento de cartório, prestam-se igualmente para compor as mais belas obras literárias. Elas formulam sentenças de morte e esperança de vida, bulas de veneno e declaração de amor, anúncios de guerra e tratado de paz. E, quando lapidadas pela sensibilidade e pela intuição, delas brotam poesias, tropéis ritmados sobre nuvens. Servem inclusive a própria leitura. Nesse caso, dizem que nem mesmo o raciocínio consegue conter e extrapolam as leis da grafia e da sintaxe, pois refletem essa irreprimível necessidade de exprimir o imponderável, de escrever o absurdo, de revelar o absoluto.

FONTE: Claver, Ronald. Escrever Com Prazer. Belo Horizonte: Dimensão, 1999, pp 13/14.