domingo, 26 de outubro de 2008

Caminhada


Vim ao mundo inacabado,
Com necessidades, carências.
Cedo precisei trabalhar.
Sem dar conta
De que com meu suor
Teria meu pão.
Vendi sorvete,
Fui engraxate,
Sem entender de troco.
Conheci o trabalho
Sem saber quanto valia o que fazia.
Meu trabalho tinha
Forma, cor, movimento, som,
Mas parecia sem sentido.
Punha nele força física,
Espiritual e criatividade.
Na essência fui trabalho,
Atalho para viver, comer, dormir.
Fazia parte de uma família.
Com parentes, vizinhos,
No rural e no urbano.
Pensava e trabalhava,
Trabalhava e pensava,
Relacionando-me com os homens
E a natureza,
Transformando-a e me transformando,
Utilizando instrumentos,
Extensão da minha mão.
Senti-me em situações complexas,
Em outras sem nexo,
Visíveis e invisíveis,
De aparência e essência.
Tomei-me um ser social e histórico,
Pobre porque não vendi minha alma,
Sou produto das idéias,
E ideais,
Tenho pouco, sou muito.

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