domingo, 26 de outubro de 2008

Na Rua


Caminho entre muitos,
que caminham junto a mim
Caminhamos em sentido contrário,
na mesma direção e as vezes lado a lado
Na pluralidade e na individualidade
temos em comum a rua, a calçada.
No vai e vem
Alguns esbarram em mim,
que me leva a esbarrar em outros.
Estamos envoltos em pensamento
e nos afins,
não ha tempo para desculpar-se.
Em meio aos desencontros e encontros,
corpos se cruzam, exalam perfume,
suor, tristeza, alegria, ansiedade,
expectativa, angústia.
Estamos na rua.
Há na minha frente
um corpo de mulher, há uma mulher,
ha uma pessoa que caminha.
Um corpo em movimento
que movimenta meus pensamentos.
Sinto o desejo de tocá-la,
senti-la, encostar mesmo que seja de relance,
como um relâmpago,
para quem sabe sua pele
reconheça a minha.
Vejo alguém que finge
não me reconhecer e, eu faço o mesmo.
Queremos continuar no anonimato.
Mas aquela mulher,
que se tornou mais uma entre tantas,
que se perdeu na multidão,
se sentisse o que senti,
viria ao meu encontro.
Assim não seríamos
mais estranhos,
mas confidentes e solidários,
extraídos do anonimato,
da rua, da multidão.

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