domingo, 26 de outubro de 2008

A Rosa e a Menina Rosa I


Encontro-me na primavera,
Num dia de sol,
Sentindo-me linda
Ainda molhado pelo
Orvalho da noite que se foi.
Estou num jardim.
Presa na terra,
Onde a calçada
Separa-me da rua.
Vejo um homem que passa,
Apresado, engravatado,
Um jovem que olha
Para o relógio e me ignora.
Agora uma moça,
Que olha para o vidro
Do carro que reflete seu corpo.
Surge um casal de namorado
E penso que entre eles, Rosa, uma flor, ficaria bem.
O tempo vai passando.
Como tantas pessoas.
Ninguém me repara,
E isso me deixa triste.
De repente uma menina
Aparece e olhando para mim,
Atravessa o portão
E vem ao meu encontro.
Fiquei apreensiva,
E mais ainda porque
Agora ela está junto a mim,
Pertinho e me toca
Com seu dedo indicador.
Começa a contar minhas pétalas,
Querendo saber de quantas
Sou composta.
Perdeu a conta,
Reconta, parece não dar conta,
Sorri e sussurra baixinho:
"Você é tão bela que tira minha concentração"
Por dentro rio envaidecida.
Ela ameaça ir embora
O que me fez soltar um grito.
"Hei! Não vai me levar ?"
- Não pois estaria sendo egoísta,
Privando outras pessoas de lhe ver.
- Diga-me seu nome!
- Rosa
Respondeu timidamente,Parecendo meio triste e continuou

0 comentários: